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Agradecimentos
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Apresentação
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Chico Soares
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Anexos
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Catálogo de Obras
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Mp3

Esta obra foi realizada na Universidade de Fortaleza - UNIFOR - através de pesquisa do Programa de Bolsas Virtuose do Ministério da Cultura
Autoria: Maria do Céu Rodrigues Gomes
Orientação: Carlos Velázquez Rueda

1   Agradecimentos
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Airton Soares da Costa por disponibilizar uma grande parte do material utilizado neste trabalho: partituras, fitas e pelas informações, indicações e histórias sobre o  "Tio Soares";
Núbia Soares de Souza pelo imenso carinho com que me recebeu em sua casa,
pelo incentivo e exemplo de força diante dos obstáculos que aparecem pela vida;
Janice Soares de Souza pelo carinho e disposição para me levar aonde fosse necessário
 para o trabalho ou para aproveitar os bons lugares de Fortaleza, pelas milhares de histórias de sua família e pela  disponibilização de todo material sobre F. Soares que faz parte do arquivo da família;
Vânia, Sílvia e Lilian pelo carinho e mais tantas lembranças que me contaram;
Carlos Velázquez Rueda pelo conhecimento que me transmitiu e
 por todas as providências que permitiram a realização desse trabalho em Fortaleza;
Luiz Otávio Braga, João Máximo e Turíbio Santos pela recomendação deste trabalho junto ao MINC;
Nirez pelos livros, fotos, informações e pela cajuína geladinha;
Flásia pelos quitutes e hospitalidade;
André Acker pelo carinho, paciência e colaboração na procura de material que se encontrava no Rio;
UNIFOR e seus funcionários pelo acolhimento deste trabalho
e o pronto atendimento às minhas solicitações.

Dedico este trabalho à D. Núbia
Julho de 2003


2   Apresentação
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Podemos dizer que a Música Brasileira deve grande parte de sua história à própria história do violão em nosso país. No final do século XVII a viola começava a ganhar espaço ao tomar lugar nos acompanhamentos de Coplas, Romances, com Gregório de Mattos e no século seguinte acompanhando modinhas com Antônio José da Silva (o Judeu) e Domingos Caldas Barbosa, que também “exportou” esse gênero para Portugal, quando deixou o Brasil por volta de 1770 (ARAÚJO. 1963, p. 28-31).

O violão sempre esteve presente nas formações de Choro, como instrumento acompanhador, desde seu aparecimento no Rio de Janeiro, por volta de 1870 – este era, inicialmente, uma maneira original de tocar a música européia que chegava por aqui, com acompanhamento rítmico influenciado pelos batuques dos negros escravos e que mais tarde vem a se tornar um gênero musical próprio. O ambiente musical carioca favorece o surgimento de importantes nomes para a história da música brasileira. Entre eles, destacam-se Ernesto Nazareth e Chiquinha Gonzaga, considerada por Edinha Diniz como “o primeiro profissional de piano ligado ao choro: primeira pianeira e primeira chorona” (DINIZ. 1984, p.101-126).

O violão, no Brasil, começa a ter lugar como instrumento solista, basicamente a partir de João Pernambuco, que foi integrante do conjunto “Oito Batutas” ao lado de Pixinguinha e que era bastante admirado pelo seu virtuosismo e por suas composições para violão solo, no começo do século XX. Com ele, o violão ganha status de instrumento solista quando realiza um recital no salão de Cultura Artística de São Paulo, em 1915. Sua maneira de compor, os recursos utilizados, tiveram muita influência nas composições escritas para violão de H. Villa-Lobos, que também foi exímio solista de violão e freqüentador de rodas de choro. Foi na música popular onde ele buscou as fontes de inspiração de sua produção musical.

E vieram muitos outros grandes compositores e intérpretes do violão brasileiro: Américo Jacomino, “Canhoto”, autor até hoje consagrado por expressivas composições, como “Abismo de Rosas”; Dilermando Reis, cuja importância se deve, não só pela beleza de suas músicas e sua execução e interpretação, mas também seu empenho na divulgação do instrumento através do programa de rádio “Sua Majestade, o Violão”, na Rádio Nacional, que dirigiu durante anos (NOGUEIRA. 2000, p.62); Garoto, que viajou com o Bando da Lua e Carmem Miranda para os EUA em 1939, era admirado pelos adeptos do Jazz que iam aos shows só para vê-lo apresentando introduções e solos no violão tenor (ANTONIO & PEREIRA. 1982, p.13-33); Laurindo Almeida, Antônio Barbosa Lima e Baden Powell foram importantes para a divulgação da música brasileira no exterior, tanto pelo virtuosismo e técnica que dominavam, como pela riqueza rítmica, melódica e harmônica de suas composições.

Paralelamente a esse movimento musical no Rio de Janeiro, acontecia em Fortaleza, no início da década de 30, a inauguração da "Ceará Rádio Clube", a PRE-9, por João Dummar, que fez empreendimentos de grande ousadia naquele tempo, trazendo os nomes mais famosos do rádio brasileiro como Francisco Alves, Orlando Silva, Dorival Caymmi, Silvio Caldas, Carlos Galhardo, Ataulfo Alves, Dick Farney, Dalva de Oliveira, Nelson Gonçalves, Adelaide Chiozzo e outros (O POVO. 1977). Além disso, lançou vários artistas regionais que iriam fazer sucesso no Rio de Janeiro, como os Vocalistas Tropicais, Gilberto Milfont, Humberto Teixeira e Lauro Maia (DE PAULA. 1999).

Em 1935, o compositor Lauro Maia, ingressa na Rádio apresentando um programa de músicas regionais nordestinas, "Lauro Maia e seu ritmo", que obteve muito sucesso, além de ter possibilitado uma influência considerável na criação de obras musicais dos compositores daquela época (NIREZ. 1999, p.28).
É nesse ambiente que também convive Francisco Soares de Souza, atuando como violonista acompanhador dos grandes cantores e instrumentistas que se apresentam na Rádio Ceará e também como solista, interpretando compositores eruditos como Francisco Tárrega, Isaac Albéniz, e outros transcritos para violão (muitas vezes pelo próprio F. Soares) como Beethoven, Liszt, Chopin, Bach, além de apresentar repertório popular, com arranjos para violão de músicas de Ernesto Nazareth e Pixinguinha ( VASCONCELOS. 1990).



3   Chico Soares
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Ele nasceu em Quixadá no dia 22 de novembro de 1907. Filho de Manoel Soares, natural de Crateús e Emília, de Baturité.

A família de sua mãe foi viver em Quixadá. Manuel era fiscal de rendas e tinha que viajar pelas cidades vizinhas e assim, numa das viagens para Quixadá, durante a missa na igreja viu Emília e mais tarde foi procurar seu pai a fim de propor namoro com ela. Como ela tinha outras irmãs mais velhas, o pai tentou persuadi-lo a conhecê-las, a fim de que ele se interessasse por alguma delas – já estavam passando da idade de se casar... - mas não adiantou: era a Emília que ele queria e assim foi. Casaram-se e tiveram 8 filhos: Julieta, Francisco, Marieta, Francisca, Antônio, José, Luís, Aloísio.

Tanto a família de Manoel, quanto a de Emília eram muito ligados à música. Além da mãe, que tocava piano, suas tias também tocavam cavaquinho, bandolim. Sua irmã Francisca cantava muito bem e seu irmão José tocava violão de acompanhamento.

No meio familiar, então, iniciou seu aprendizado musical escolhendo o violão como instrumento para acompanhá-lo por toda a vida. Foi autodidata. Colecionou partituras que lhe
traziam de fora, copiava outras que violonistas visitantes traziam e arranjava para violão composições para piano.

Em 1937 Francisco Soares casa-se com Núbia de Alcântara e Silva, com quem teve 5 filhos: Janice Maria, Roberto (falecido aos 4 anos), Sílvia Helena, Lilian e Vânia.

Foi proprietário do "Café Record" que ficava na Praça do Ferreira na década de 40. Nesse Café, como numa casa de chá, as pessoas se encontravam para conversar sentadas à mesa,
fazendo seu lanche, discutindo política, falando sobre as últimas novidades. Era um programa ir ao Café. Com o advento da moda do café de balcão, os clientes que freqüentavam
as tais casas foram abandonando as mesas e o negócio foi ficando insustentável, já que nessa nova modalidade o custo era bem menor.

Francisco Soares trocou de ramo e se estabeleceu com um posto de carros de aluguel. Eram carros grandes como taxis especiais. Isso lhe propiciava um bom rendimento para sustentar a
família e continuar sua atividade artística. Porém, surgiu no mercado a corrida de preço único, com carros menores, e preços mais em conta, o que levou a queda na procura dos carros
maiores. Assim, a partir da década de 50, trocou de ramo mais uma vez e se tornou proprietário de uma loja de louças durante uns 3 anos. Além disso, também era funcionário público - trabalhava como fiscal de rendas da Prefeitura Municipal de Fortaleza - podia sobreviver a essas situações e manter um padrão econômico satisfatório para suprir as necessidades da família e a educação das filhas.

Em 1944 é fundado o “Violão Clube do Ceará” por Francisco de Miranda Golignac e Francisco Soares de Souza, que se torna o diretor artístico. Ali, na casa dos Golignac, reuniam-se os melhores violonistas todo segundo e último domingo de cada mês, de 10:00 h às 13:00 h. Mais tarde o mesmo clube passou a se chamar "Círculo Violonístico Villa-Lobos".

Golignac possuía uma coleção de partituras, métodos e estudos escritos para violão, além de uma discoteca com mais de 1000 composições diferentes do repertório erudito e popular
interpretadas por artistas célebres como Andrés Segovia, Narciso Yepes, Juliam Bream, Barbosa Lima, Laurindo Almeida, Geraldo Ribeiro, Luis Bonfá, Duo Abreu, Américo Jacomino, Sebastião Tapajós, Dilermando Reis, entre outros. Além disso colecionava uma vasta literatura violonística e revistas especializadas no estudo, história e cultura do violão como The Guitar Review (EUA), Guitar News (Inglaterra), Armonia (Japão), L´Arte Chitaristica (Itália), O Violão, Violão e Mestres (Brasil).

Eram freqüentadores assíduos do Clube, além de Francisco Soares de Souza: Aleardo de Freitas, João Lima, Alberto de Souza Lima, Francisco Gadelha, Francisco Coelho, Afonso Farias de Souza, Juanita Maria Golignac, Nemésio Lima, Prof. Euclides Lemos, Célio Cavalcante, José Luciano Vasconcelos, Prof. José Mário de Araújo . O Clube funcionava também como uma escola, nas palavras de Golignac:

“O nosso Círculo é uma organização informal, sem personalidade jurídica, composta de diletantes solistas de violão, no gênero popular e erudito, intuitivamente e por música, adotando a escola moderna do violão, instituída pelo espanhol Francisco Tárrega, personificada pelo concertista internacional Andrés Segóvia e difundida no Brasil, por mais
de 30 anos pelo violonista Isaias Sávio...é um movimento sério, apoiado numa escola, fadado, conseqüentemente, a, inclusive, formar violonistas, uma vez que, há freqüentadores que aspiram, um dia, dedilhar o velho pinho”. (O POVO, 1977)

Além dos violonistas, também participavam das reuniões músicos que vinham se apresentar na cidade, como foram os casos de Vicente Celestino e Silvio Caldas (VIANA. 1987).

Em 1948 Francisco Soares viajou para Recife onde encontrou-se com os melhores violonistas da terra. Ao retornar à Fortaleza, foi entrevistado no jornal Gazeta de Notícias onde falou de suas impressões sobre o movimento violonístico em Pernambuco. Essa matéria foi reproduzida na Folha da Manhã sob o título: “Azes do violão em Pernambuco – A arte de Armando Cunha,
José do Carmo e Benedito dos Santos”. Esse é o único documento que traz a própria fala do violonista, onde podemos observar seu estilo, humor e sensibilidade.

O Clube também promovia concertos de violonistas de fora, como foi o caso da apresentação da violonista argentina Maria Luisa Anido no Teatro José de Alencar, em 19 de junho de 1951 Ela também fez apresentações no Clube (NIREZ, 1986).

Durante o ano de 1953 Francisco Soares apresentou, com o cantor José Vasconcelos, um programa semanal ao vivo na "Ceará Rádio Clube": “Uma voz e um violão”. Era apelidado
“Boulanger” do violão ou “Príncipe dos violonistas cearenses” pelos críticos musicais em razão das suas interpretações e capacidade técnica, tanto nos solos de violão quanto nos
acompanhamentos (TEMÓTEO. 1953). O programa tinha grande audiência e sempre era elogiado nos jornais (VASCONCELOS. 1990).

Em meados de 1954 fez uma tournée com o cantor lírico Henry Bluhm apresentando-se no Pará e no Maranhão, e com um repertório solo de difícil execução, de transcrições de Granados,
Beethoven, Tarrega, Chopin, Bach, entre outros (A VANGUARDA, 1954; JORNAL DO DIA, 1954).

Em julho de 1955 , durante o Concurso de "Miss Brasil", Emília Correia Lima, a candidata do Ceará, é a escolhida. Francisco Soares, inspirado pela nova "Miss Brasil", compõe a valsa
Emília com letra de Rogaciano Leite, apresentando-a durante o Baile do Maguari em homenagem à moça. Essa valsa foi apresentada e dançada pela própria com o Sr. Egberto Rodrigues, presidente do Clube. Antes de embarcar para Long Beach, Estados Unidos, onde iria concorrer ao título de "Miss Universo", Emília escreveu ao jornalista João Calmon, diretor dos Jornais e Rádios Associados, solicitando-lhe que mandasse orquestrar a referida música em ritmo de bolero para ser gravada por um cantor de cartaz daquela emissora, o José de Vasconcelos, Murici.(CORREIO DO CEARÁ, 1955)

Francisco Soares, no seu objetivo de divulgar o violão como instrumento solista e conseguir fundar novos clubes de violão, sai pelo país numa viagem de intercâmbio de cultura musical.

Em julho de 1955, como diretor artístico do Violão Clube do Ceará, em companhia do violonista Sigisnando Chaves, percorreu várias cidades brasileiras, a convite da Academia de
Violão de São Paulo. (SOBRAL. 1955)

Os dois partiram de Fortaleza no dia 22 de julho, passaram por João Pessoa onde realizaram 4 recitais e reuniram-se com violonistas locais para discutir a fundação de um clube de
violão na Paraíba. Foram entrevistados no jornal Diário de Pernambuco, onde destacaram a importância do “Violão Clube do Ceará”, como “a mais antiga agremiação musical no norte do
país, com a finalidade de difundir a arte do violão através de intercâmbio com entidades de todo o país e do estrangeiro”. Devido a esse incessante trabalho conseguiram durante esse
tempo de atuação reunir cerca de 4 000 músicas para violão. Apresentaram recitais e um programa no Palácio do Rádio, a PRA-8 de Recife, onde também mantiveram contato com os
violonistas locais, com o objetivo de criar um espírito de maior colaboração artística entre os violonistas cearenses e os pernambucanos e paraibanos. (CABRAL. 1955) Daí seguiram para Rio de Janeiro e São Paulo.

Em 28 de maio de 1956, foi publicado no Correio do Ceará, na coluna de poesia popular, uma glosa escrita pelo poeta popular Siqueira de Amorim:

MOTE:
Cantávamos na grande festa
De Stello – o jovem querido!

GLOSA:
A residência de Stenio
Grande amigo do “Bié”
... Teve na noite de Sábado
Alegria, paz e fé...
Dois violões “soluçando”:
Soarinho e Sigisnando,
Cada qual o mais polido...
Pássaros doutra floresta,

Cantámos na grande festa
De Stello – o jovem querido!

O lar distinto e feliz
Estava pomposo e lindo
Pois o garoto contou
Seis primaveras sorrindo...
Com os versos do Ferreira
Foi bem longe a brincadeira
Formando mais de um partido..
Na sertaneja seresta,

Cantámos na grande festa
De Stello – o jovem querido!

Na década de 60 foi fundada a sexta emissora de rádio em Fortaleza: a "Rádio Assunção". Inspirado no “Clube do Violão”, onde era presença constante, Aleardo de Freitas apresenta
durante 2 anos o programa “Aleardo de Freitas e seu violão”. Muitas de suas composições foram gravadas pelos Vocalistas Tropicais, Trio Nagô, Solange Ribeiro, Décio Amorim (VIANA.
1987). Francisco Soares dedicou-lhe uma de suas composições, a valsa “Segredo dos teus olhos”.

Outro violonista que freqüentava o Clube, quando estava em Fortaleza, era José Menezes de França, conhecido como Zé do Cavaquinho. Como vivia no Rio de Janeiro e tinha contato com as gravadoras chamou Francisco Soares para ir gravar um disco lá. Em 1961, então, encontraram-se no Rio. Zé Menezes o levou à gravadora Phillips onde Francisco Soares gravou 12 músicas, sendo 10 de sua autoria, no seu único LP intitulado “Um Recital No Clube Do Violão”. Zé Menezes participou do disco acompanhando algumas músicas.

Durante as reuniões no “Clube do Violão”, eram feitas gravações informais e nelas estão registradas versões de algumas músicas, que não constam em partituras. Isso vem mostrar a influência que a música popular teve a partir de determinada época, tanto na sua maneira de compor quanto na própria execução, quando ele se utilizava de improvisos.

Ainda no final da década de 50, João Gilberto esteve em Fortaleza para apresentar um show.

Durante o tempo em que ficou na cidade, esteve na casa de Francisco Soares por 2 vezes, onde passaram as noites tocando. Nessa ocasião, F. Soares tinha muitos alunos que estavam
prestando o serviço militar. Eles eram avisados pelo professor que haveria noitada com João Gilberto. Quando todos os soldados deveriam se recolher, eles fugiam do quartel para
participar do especial evento e, para não serem descobertos, retornavam ao quartel antes das 5 da manhã.

A simplicidade era sua característica marcante, natural daqueles que vêm do interior. Mais do que isso: seu humor espirituoso o aproximava de qualquer um, fosse de qualquer classe social. Podia ser um intelectual ou um simples encanador, que ele convidava para uma cerveja e uma boa conversa.

Na educação das filhas sua preocupação mais importante era a de transmitir valores éticos e seu pensamento, um tanto quanto avançado em relação aos costumes adotados na sua época. Foi
essa herança que lhes deixou e da qual elas têm o maior orgulho.

A partir de 1965, quando se aposentou, passou a se dedicar mais à composição e à didática.

Trabalhou pela criação do Conservatório de Música Alberto Nepomuceno e foi membro da banca examinadora das primeiras gerações ingressas na instituição.

Como professor, mantinha um relacionamento de amizade com os alunos, de quem não cobrava nada pelas aulas e nem marcava seu tempo de duração. Havia ocasiões de passar a manhã inteira com um mesmo aluno e muitos deles tornaram-se seus grandes amigos. Algumas das suas composições foram dedicadas aos seus alunos. Um deles, Luís Pires de Castro, teve a oportunidade de conhecer Waldir Azevedo e tocar para ele algumas composições de Francisco Soares. O músico ficou tão impressionado com o que ouviu que fez o seguinte comentário:

“Esse teu mestre Soares não tinha mãe! Ele tem hora que complica tanto a harmonia desse instrumento....”.

Participou do programa “7 dias em destaque” na TV Ceará, no qual ganhou um troféu. Também foi durante certo tempo jurado num programa de calouros na televisão cearense.

Em 30 de abril de 1967 foi realizado o 1° recital de violão oferecido pelos membros do "Círculo Violonístico Villa-Lobos" para o público fortalezense, no auditório da Biblioteca Pública. No mesmo ano ainda, promoveram mais 2 recitais no Auditório do Conservatório Alberto Nepomuceno, e mais um em maio do ano seguinte (O POVO. 1977).

A cantora e professora do Conservatório de Música Alberto Nepomuceno, Dalva Estela, foi convidada pelo Prof. Miranda Golignac para assistir as apresentações de domingo do “Clube do Violão”. Assim conheceu F. Soares e convidou-o para fazer um recital no programa que ela apresentava na TVE, canal 5, “Música e Comunicação” idealizado por ela a pedido do então
governador Cesar Cals de Oliveira, que queria um programa de alto nível cultural. Esse programa foi considerado o mais bem produzido no Congresso de Programas Educativos em BH.

Com mais de 70 anos e, ainda com a timidez de apresentar-se como solista, Francisco Soares interpretou nesse programa 10 composições do repertório clássico e arranjos seus de música
popular.

Além da atividade de intérprete e compositor, também se dedicava aos arranjos, transcrições, tanto de música erudita como popular, como forma de enriquecer o repertório violonístico.

Graças ao seu cuidado em escrever música de compositores que não dominavam a escrita musical, encontramos registros de compositores como Albano Levino da Conceição, Sigisnando
Chaves, Freire Júnior e Álvaro Maia.

Francisco Soares de Souza, cearense de Quixadá, autodidata e exímio violonista deixou uma obra de 47 composições, entre choros, valsas, estudos, prelúdios para violão e outras 8 composições para piano e canto. Transcreveu e arranjou outras 33 obras de compositores conhecidos e desconhecidos .

Em 1986 é acometido de câncer no pulmão, entra em depressão, abandona o violão. Ainda assim, compõe o samba Mandinga que retrata essa situação, com a seguinte letra, de sua autoria:

Minha vida corre risco
Estou sendo perseguido
Por mandinga, por mazela
Por macumba dirigida

Os caboclos trabalhando
Toda hora, todo dia
Com despachos nas estradas
Que miséria, covardia

O meu santo é muito forte
Estou zombando da desgraça
Vigilante sendo praça
Tomo o rumo do meu norte

Francisco Soares de Souza faleceu em Fortaleza em 1 de novembro de 1986, assistido por um de seus alunos, o Dr. Luís Paiva Freitas, e até agora permaneceu desconhecido no cenário
musical brasileiro.

No ano de 1988, seu sobrinho, Dr. Airton Soares da Costa, residente no Rio de Janeiro, iniciou um trabalho incessante para divulgar as composições de Francisco Soares. Encomendou cópias de todas as partituras aos músicos Luís Otávio Braga e Carlos Kuehn e arranjos ao maestro Sérgio Kuhlmann. Fez contatos com conservatórios de todo o país, Estados Unidos e
Europa, enviando cópias de partituras. Além disso, com as partituras do seu tio debaixo do braço e gravações em fita K7, procurava os violonistas que se apresentavam na cidade. Dessa
forma, foi conseguindo alguns resultados, como a publicação de partituras num álbum intitulado “10 Serestas Brasileiras” pela editora francesa Henry Lemoine, em 1991. A partir de então, alguns violonistas de destaque têm incluído composições de Francisco Soares nas suas produções discográficas. Para citar alguns exemplos mencionaremos o LP “Brasilidade" de Sebastião Tapajós, o CD “Guitar Plus” de Cristina Azuma, o CD “Choros do Ceará” de Maria do Céu e o CD “Nonato Luiz – Ceará” do violonista homônimo. Em 1994, a revista italiana de
crítica musical Seicorde publicou matéria sob o título “Dal Brasile com Amore”, na qual Francisco Soares recebeu menções elogiosas pelo seu trabalho editado pela Henry Lemoine.

Com o apoio do Ministério da Cultura, através do Programa de Bolsas Virtuose, foi possível realizar este trabalho de pesquisa - iniciada no ano de 1995, quando a autora do projeto recebeu algumas partituras de Airton Soares da Costa - que visa resgatar o patrimônio cultural que Francisco Soares de Souza nos deixou para enriquecer o repertório dos músicos, principalmente dos violonistas. Assim, esse trabalho vem demonstrar a importância deste compositor talentoso, capaz de criar melodias de extrema simplicidade e lirismo em suas
valsas, assim como associar sofisticação harmônica com beleza melódica nos choros, e misturar o antigo com o moderno por via de criatividade, humor e bom gosto.


4   Anexos
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FOLHA DA MANHÃ, 1948

“Depois de seu regresso da capital pernambucana, onde esteve a serviço comercial de sua empresa automobilística e a estudos de sua arte predileta: a música, deu-nos o prazer de sua visita, o nosso estimado conterrâneo, Sr. Francisco soares, que deixou transparecer, pelas nossas perguntas, o panorama violonístico
da Veneza Brasileira:
- Que nos pode informar, Soares, sobre o violão em recife?
- Não existe ali uma entidade organizada para cultivar a música de violão da maneira como temos aqui o Violão Clube do ceará, todavia, os pernambucanos trabalham, já, para criar um grêmio desse jaez. De um modo bem sugestivo, assiste-se dentro duma serraria, - mesmo com o ensurdecedor ruído das máquinas, a execução de boa música – graças ao trabalho, dedicação e entusiasmo do seu proprietário, o Sr. José Sérgio, “o preto de alma branca”, como em feliz momento o cognominou o Alfredo de Medeiros. Efetivamente ali impera a prodigalidade de par com a fidalguia de costumes absolutamente regionais.
Naquele recinto impregnado de pureza, em qualquer momento que se chegue, observa-se quatro excelentes violões à disposição de quem souber manejá-los e ...não somente esses quatro violões. Fina assistência, refeições e até dormitório!!!
Empolga a alma de qualquer pessoa o tratamento de Sérgio, que é na melhor expressão: um sectário do “pinho”. Quem, no recife, não conhece o Sérgio das “Águas Verdes”? Sua casa é visitada com muita atenção desde o mais simples plebeu e até por figuras bastante expressivas. Consegui destacar, ali, os irmãos Villaça, do alto comércio recifense, Dr. Wilson Sá, contador do banco do brasil e o Alfredo Medeiros, que saltou do seu avião diretamente para a casa do Sérgio, tal a atração que sente por aquele ambiente.
- Somente isto lhe atraiu, Soares?
- Um ponto importante que muito me sensibilizou foi a apresentação do grande concertista de violão, que demonstrando sobejas qualidades para esse instrumento, o governador do estado de Pernambuco, tomou a si o encargo de educá-lo e instruí-lo dentro dos rigores da fina música e, hoje, Armando cunha é um grande cartaz nacional.
Segue-se como bom intérprete da arte de Tárrega o Sr. Oscar Feitosa, despachante aduaneiro. Este outro apaixonado pelo violão já chegou a oferecer a aprendizes pobres e pessoas afeiçoadas ao instrumento de Catulo Cearense, cerca de Cr$ 12.000,00 para aquisição de “pinhos” de vários quilates.
Outra figura digna de menção honrosa é o professor Gerson Borges, que administra música, quase grátis, a um selecionado número de amadores de violão. Um elemento do belo sexo da fina sociedade de Recife, também se exibe de maneira surpreendente de grandes platéias. Trata-se da Exma. Sra. João Brito.
Convence plenamente a execução do maestro Alípio Galvão, o mentor dos violonistas locais, pelas suas criações e desprendimento de satisfazer aqueles que apreciam dedilhar a guitarra. Uma boa dupla também me satisfez na íntegra, José do Carmo e Benedito dos Santos, figuras proeminentes do “cast” da PRA-8. Aquele como solista regional de forte punho e este outro como acompanhador, adaptador e arranjador.
Formam como verdadeiros “astros” no mundo violonístico de Pernambuco, o construtor civil Irineu Barros, dono de uma execução finíssima e composições sublimes e Luiz chaves ao lado Umbelino Silva, figuras capazes de brilhar em qualquer parte do território pátrio.”

Comentários:
Pela análise das partituras manuscritas pelo próprio Francisco Soares, comparadas com outras cópias e com as gravações realizadas no "Clube do Violão", observamos variações de melodia e ritmo em algumas músicas, principalmente nos choros. Exemplo disso acontece no Choro n. 7 (Tira-Teima): na gravação que consta do LP, seis compassos da segunda parte desse Choro têm melodia e harmonia diferentes do que está nas partituras escritas pelo próprio autor e pelo copista Gilberto Petronillo.

Fato semelhante ocorre com o Choro n. 17 (Aquário). Na partitura escrita pelo autor o ritmo do início da música não tem síncope, presente nas gravações. A segunda parte que está na partitura mantém a mesma tonalidade que a primeira, ou seja, G. Assim também está gravado no CD “Choros do Ceará”. Numa gravação realizada no "Clube do Violão", Francisco Soares apresenta uma outra versão para a segunda parte: nela há uma mudança total da melodia e a tonalidade passa para o modo menor (Gm).

O choro n. 2 é escrito em duas partituras, sendo que o final da segunda parte é apresentado com duas melodias diferentes, mas com a mesma seqüência harmônica ( A, A#º, E, F°, F#7, B7).

Essa seqüência, aliás, é utilizada ainda nos choros 3 e 4, também na segunda parte. No choro n.4 (Caboré 2), que é o único choro de 3 partes (como o Choro era inicialmente composto), ele utiliza uma seqüência harmônica inusitada, difícil de ser acompanhada numa roda tradicional de choro: F#m, A7M, G#m11+, G°, B7/F#, B7/A, E/G#.

Essa liberdade na escrita ou na interpretação é muito comum entre os músicos de Choro, haja vista que este permite improvisações ou variações como forma de destacar o virtuosismo do instrumentista.

Isso também interfere na maneira de escrever as vozes na partitura: muitas vezes o instrumento solista é um instrumento melódico como a flauta, o bandolim, o saxofone, o cavaquinho. No caso do violão, sendo ele um instrumento polifônico, é comum dividir a música em apenas duas vozes: o baixo e a melodia, mesmo que haja acordes e vozes intermediárias. Assim, notamos que as hastes para baixo determinavam os bordões enquanto que o resto ficava com as hastes para cima, confundindo-se melodia ou "canto" com as vozes intermediárias, como se fossem um só voz.

Neste trabalho procuramos delimitar essas regiões com a notação utilizada para o violão "clássico", que vem facilitar a visualização e possibilita uma imagem automática para o fraseado na interpretação e futuras transcrições ou arranjos para outros instrumentos ou formações camerísticas.

Uma outra característica na sua escrita é o uso sistemático da figura indicativa de appoggiatura, quando o efeito desejado é o de glissando. Muitas vezes isso é utilizado em cordas diferentes, quando um dos dedos começa o movimento de arraste numa corda e outro dedo termina tocando a nota da outra corda. Substituímos a notação original pelo símbolo indicativo de glissando (/).

As alterações de digitação estão apenas sugeridas, assim como a inclusão de ligados, como forma de tornar mais leve a articulação do fraseado.


5   Catálogo de Obras
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1. PARA VIOLÃO SOLO (48):
1.1 VALSAS (21)

ELBA - 1/7/1946
LENDA DAS ROSAS -15/10/1948
SEGREDO DOS TEUS OLHOS - 07/1954 - dedicada ao amigo Aleardo de Freitas
BERTINE - 30/8/1956
SÍLVIA HELENA – 07/1971
LEMBRANÇA - 07/1971, dedicada a Joanita Colignac
VALSA TRISTE - 02/1976, dedicada ao amigo Álvaro Maia
VALSINHA N.1 - 09/1978
COLCHA DE RETALHOS
CARÍCIA - dedicada ao amigo Luís Gonzaga Pires de Castro
NARA
VALSINHA N. 3
CABOCLA
ESCUTA-ME
SERESTA II
JANE - dedicada ao amigo Sigisnando Araújo Chaves
RETALHOS DO LUAR (registrada como VALSA DE ESQUINA)
ANGÚSTIA - dedicada ao amigo Francisco Miranda Golignac
AVE MARIA
VÂNIA

1.2 CHOROS (20):

CHORO N.1 - CHORAMINGANDO
CHORO N.2
CHORO N.3 - CABORÉ I – 13/10/1948
CHORO N.4 - CABORÉ II – 13/03/1949
CHORO N.5 - CHORO TERNO – 04/1949
CHORO N.6 - ITAPERI
CHORO N.7 - TIRA-TEIMA – 05/1949
CHORO N.8 - ARAÇANGA
CHORO N.9 - ZÍPER
CHORO N.10 - RÍPIO
CHORO N.11 - CLIPE I e CLIPE II
CHORO N.12 - VELEIRO
CHORO N.13 - SAMBURÁ
CHORO N.14 - PENEIRANDO
CHORO N.15 - CANGAPÉ
CHORO N.16 - SAVEIRO
CHORO N. 17 - AQUÁRIO
CHORO N.18
CHORO N.19 - 07/1981

1.3 OUTROS (7):
GAVOTA - 1949
ESTUDO N. 1 - RECORDAÇÕES DO CEARÁ
ESTUDO N. 2
CAMPONESA (mazurka)
LENDA TABAJARA (corrido)
PRELÚDIO N.1 - 12/1970
PRELÚDIO N. 2

2. COMPOSIÇÕES PARA PIANO E CANTO (8):
HILDE (valsa) -1935, com letra de Pierre Luz

EMÍLIA (valsa) -10/1955, com letra de Rogaciano Leite – dedicada à Miss Brasil, Emília Correia Lima

HISTÓRIA DE AMOR (bolero), com letra de Sobreira Filho

AINDA TE AMO (valsa), com letra de José Vasconcelos Murici – dedicada à Dizinha Vasconcelos

LINDA DANIELLE (canção), com letra de Heitor Catunda Gondim, dedicada à neta Danielle

P´RA NINAR RUDINHO (canção), com letra de Francisco Soares de Souza, dedicada ao neto

P´RA VOCÊ (fox), com letra de Francisco Soares de Souza, dedicada à esposa Núbia Soares de Souza

MANDINGA (samba) -1986, com letra de Francisco Soares de Souza

3. ARRANJOS E TRANSCRIÇÕES:
SUBINDO AO CÉU - valsa de Aristides M. Borges (1968)

CARINHOSO -Pixinguinha

REVENDO O PASSADO - valsa de Freire Júnior (1972)

FASCINAÇÃO - F. D. Marchetti - M. Feraudy

ROSA – Pixinguinha

EXPANSIVA - Ernesto Nazareth

GOTAS DE LÁGRIMAS - valsa de Mozart Bicalho

TURBILHÃO DE BEIJOS - Valsa de Ernesto Nazareth (1954)

MAZURKA OPUS 6 N. 3 - Franz Chopin

CELENE - valsa de Sarques Filho

ADNA MARIA - valsa de João Lima Bastos

MISS CEARÁ 1928 - valsa de Mozart Ribeiro

CHORO TRISTE - Alfredo de Medeiros

ROSA - Sigisnando Araújo Chaves

ADRIANA - Sigisnando Araújo Chaves

FAÍSCA - choro de Gustavo Araújo

MEU CALVÁRIO - valsa de Carlos Patriolino (07/1979)

UM OLHAR PARA A VIDA - valsa de Álvaro Maia

LÚCIA – tango canção de Ávaro Maia

ALVRINHO – tango canção de Álvaro Maia

SUZANA - valsa de Álvaro Maia

De Albano Levino da Conceição:
ESTUDO MELÓDICO (para o polegar) - 08/1942. Dedicado ao amigo Alberto Lameira Pontes

ESTUDO (para o desenvolvimento do anelar da mão direita)

SONATINA - estudo em lá maior - 25/11/1942. Oferecido ao distinto aluno Gabriel Pereira da Silva

PRELÚDIO N. 7

TRISTE AUSÊNCIA - mazurka lírica n. 1

AO LUAR - valsa típica brasileira - Serenata n. 1

SOLUÇANDO - tango brasileiro

LEMBRANÇA - valsa serenata n. 9

REI DA BOEMIA - tango brasileiro

TRANSPORTES D’ALMA - valsa de salão n. 1 - 26/8/1942

CECY - valsa serenata n.10

HÁ QUEM RESISTA?... - batuque estilizado

GRAVAÇÕES E PUBLICAÇÕES:

1961 – “Um Recital no Clube do Violão” - Francisco Soares de Souza grava 12 músicas, sendo 10 de sua autoria: Lenda Tabajara; Retalhos de luar; Angústia; Cangapé; Segredo dos teus olhos; Araçanga; Vânia; Tira Teima; Seresta; Jane; Choro triste, de Alfredo de Medeiros; Faísca, de Gustavo Araújo.

1991 – “Brasilidade” - Sebastião Tapajós grava 4 músicas no LP: Caboré 2; Choro Terno; Samburá; Valsa de Esquina (nome original: Retalhos de Luar)

1996 – “Guitar Plus” - Cristina Azuma, radicada em Paris, grava 4 composições no cd: Caboré 1; Peneirando; Lenda Tabajara; Sílvia Helena.

2000 – “Choros do Ceará” - Maria do Céu grava 12 composições no cd: Caboré 1; Caboré 2; Choramingando; Cangapé, Peneirando; Samburá; Choro 19; Jane; Tira-Teima; Aquário; Clipe 1; Clipe 2.

2001 – “Nonato Luiz – Ceará” - Nonato Luiz grava 1 música no cd; Araçanga.

1991 – “10 Serestas Brasileiras” - Publicação de 10 composições no álbum - Editora francesa Henry Lemoine,
coleção Délia Estrada: Caboré 1; Prelúdio 2; Jane; Angústia; Choramingando; Sílvia Helena; Tira-Teima; Lenda Tabajara; Peneirando; Seresta 1


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  1. Lenda Tabajara .: download mp3 :.  
  2. Retalhos de Luar (completa) .: download mp3 :.  
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  6. Segredo dos Teus Olhos .: download mp3 :.  
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  10. Seresta .: download mp3 :.  
  11. Choro Triste .: download mp3 :.  
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